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A cidadania existe? Por  Maurício Fabião .  Rio de Janeiro, 19/04/2015. É recorrente apontarmos a cidadania como um conjunto universal de direitos e deveres dos cidadãos de um território em relação à um Estado. O que raramente é apontado é que quando ela foi criada, em Atenas (Grécia), há cerca de 2.500 anos, ela não era válida para crianças, jovens, mulheres, estrangeiros, pessoas sem propriedade e, claro, escravos. Essa população, excluída do nascimento da cidadania, representava cerca de 75% da Cidade-Estado de Atenas. Esquecida durante séculos, a noção e a prática da cidadania é retomada nas que eu chamo de “as três grandes revoluções burguesas da Idade Moderna”, a saber: a Revolução Inglesa (1640), a Revolução Americana (1776) e a Recolução Francesa (1789). Cada uma, a seu modo, procurou recuperar o legado da cidadania ateniense, mas com uma diferença fundamental: a cidadania não era mais exercida diretamente, mas por meio de representantes. Os demais direitos foram s...

CIDADES E CONFUSÕES

CIDADES E CONFUSÕES Por Maurício Fabião [i] mauriciofabiao@hotmail.com Rio de Janeiro, 07 de agosto de 2012. Em um mais um ano de eleições municipais, a cidade do Rio de Janeiro é um importante centro de atenções, devido aos dois grandes eventos esportivos que o futuro prefeito irá receber: alguns jogos da Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e todas as atividades dos Jogos Olímpicos de 2016. Muita coisa está em “jogo”: não só a eleição, como os volumosos orçamentos e rendas advindas desses eventos, como o modelo de grande cidade que se quer construir nesse país. O Rio de Janeiro se insere em um cenário nacional com significativas mudanças ao longo dos últimos 20 anos. Do primeiro Impeachment presidencial à primeira mulher presidente, tivemos 8 anos do assim chamado “príncipe dos sociólogos” e mais 8 anos do primeiro ex-operário. Vêm sendo anos intensos, com uma mistura intrigante entre neoliberalismo (queda vertiginosa da inflação, estabilização econômica a custo ...

A PROMESSA DA RAZÃO

Toda racionalidade está entrelaçada com a emotividade. Com a modernidade, se criou o mito da razão onipotente, que "matou Deus", que através da ciência e da tecnologia poderia resolver todos os problemas humanos. Com a Segunda Guerra, vimos do que a nossa "razão" é capaz. Picasso percebeu que o Homem morreu, que era preciso reinventar a humanidade. Entramos no labirinto da dita pós-modernidade, que não nos promete nada, a não ser mais consumo e caos. Desesperados, muitos buscam na metafísica das religiões a direção para suas vidas. Outros se apegam ao consumo. Nada, porém, garante que a luz ao final do túnel não seja um trem... #pensenisso

De onde vem a miséria humana?

DE ONDE VEM A MISÉRIA HUMANA? Por Maurício Fabião* Maceió, 14/02/2011. O senso comum (e o censo governamental...) considera que a miséria é apenas uma questão de falta de dinheiro. Existem inúmeros estudos econômicos pretendendo estabelecer uma linha da miséria que se desprenda do clássico "1/4 do salário mínimo", para que a miséria de renda possa ser medida, calculada, avaliada, esquematizada, racionalizada. Mas existe uma dimensão fundamental da miséria que escapa à maioria dos estudos. De onde vem a miséria humana? Quando pensamos em um ser humano pleno, temos em mente alguém educado, saudável, seguro, livre, com oportunidades iguais, morando adequadamente, bem remunerado, se divertindo e, sobretudo, amado e feliz. Para quase todas essas características acima, nós temos indicadores para medir. Mas como se mede a felicidade de ser amado ou a infelicidade de não ser amado? E aqui não estou falando somente do amor romântico, mas do amor social. O amor social é uma q...

Luto pelo Rio: O que podemos fazer?

LUTO PELO RIO: O QUE PODEMOS FAZER? [1] Por Maurício Fabião [i] Rio, 21/04/2010. Nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado | Ninguém respeita a Constituição Mas todos acreditam no futuro da Nação | Que país é esse? (Legião Urbana) No dia 06 de abril de 2010, o estado de sítio desaguou no Rio na forma de um temporal de incompetência política. O capitalismo de desastre[2] mostrou a sua face: o atual governador do Rio de Janeiro acusou os pobres pelas próprias mortes, “lavando as mãos do sangue dos justos”, no meio da contagem dos mais de 200 mortos [trabalhadoras(es), crianças e idosas(os)], por conta da falta de planejamento urbano para prevenir os efeitos de fortes chuvas (as quais são derivadas das mudanças climáticas iniciadas na Revolução Industrial). A “Tragédia do Rio” (como a mídia corporativa classificou esse fato social) trouxe de volta a discussão sobre o que podemos fazer com as favelas cariocas e fluminenses. Desde da década de 1930, com o Pla...

SEGURANÇA PÚBLICA NÃO É CASO (SÓ) DE POLÍCIA

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SEGURANÇA PÚBLICA NÃO É CASO (SÓ) DE POLÍCIA:  Contra a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais Por Maurício Fabião [*] Rio de Janeiro, 22 de março de 2010. Fonte: Latuff (2008) Cidadania é crime no Brasil? No início do século 20, o processo de criminalização dos movimentos sociais no Brasil ficou conhecido por uma famosa frase do  ex-presidente Washington Luís  (1926-1930) : “Questão social é caso de polícia”. Sindicatos de operários foram fechados, trabalhadores estrangeiros (socialistas e anarquistas) foram expulsos do país, o Partido   Comunista foi posto na ilegalidade e toda greve era reprimida com violência institucional, como fazem com muitas ocupações atuais do Movimento Sem Terra (MST). Hoje, apesar dos direitos previstos na Constituição Federal de 1988, como a Reforma Agrária ou a Segurança Pública, todo militante de movimento social brasileiro que luta por fazer valer o que está escrito na lei, é preso, fichado, ...